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sábado, 02 de agosto de 2014.
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Produção Animal Sustentável

A pecuária bovina de corte (carne, couro, farinha de osso e sebo) constitui-se, já há alguns anos, no maior setor da economia acriana. Dados econômicos obtidos no Zoneamento Ecológico-Econômico do Acre revelam que, em 2004, a atividade representou 77% da saída de mercadorias do estado. Quanto aos números do rebanho, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que, em 2009, o Acre possuía 2.425.687 animais. Uma atividade que movimenta a economia e que busca novas maneiras de aumentar sua produtividade.

Com o crescimento da demanda pela conservação ambiental, os produtores de gado precisam, cada vez mais, buscar alternativas para aumento da produção sem a necessidade de abertura de novas áreas. Para aumentar a produtividade de carne e leite no estado, a Embrapa Acre desenvolveu várias tecnologias que podem ser aplicadas em pequenas, médias e grandes propriedades.

A síndrome da morte do capim-brizantão, doença que acometeu mais da metade das pastagens do Acre a partir da década de 1990, impulsionou pesquisas para descobrir a sua causa, chegar a um zoneamento das áreas de risco e desenvolver novas variedades de capins e leguminosas para recuperação das pastagens. A doença é causada por fungos e desencadeada pelo encharcamento do solo, que debilita as plantas de capim-brizantão.

Duas cultivares de leguminosas forrageiras foram recomendadas para os pecuaristas do Acre nos últimos 10 anos. O amendoim forrageiro (Arachis pintoi cv. Belmonte) é uma leguminosa forrageira palatável, de alto valor nutritivo, adaptada a todos os tipos de solos do Acre, que apresenta excelente capacidade de consorciação com as gramíneas Brachiaria humidicola, grama-estrela e capim-tangola. Já o estilosantes Campo Grande (mistura de Stylosanthes capitata e Stylosanthes macrocephala) é uma leguminosa nativa do Cerrado, com bom valor nutritivo, palatável e excelente adaptação a solos arenosos, não sendo recomendada para solos sujeitos ao encharcamento. A utilização dessas duas leguminosas contribui para aumentar a produtividade de carne e leite, reduzindo os custos de produção devido à fixação biológica de nitrogênio, tornando as pastagens mais diversificadas e sustentáveis.

Diversas cultivares de capins foram testadas e recomendadas para o Acre, algumas propagadas por sementes e outras apenas por mudas. O capim-xaraés (Brachiaria brizantha cv. Xaraés) tem sido um dos mais utilizados para a substituição das pastagens degradadas de capim-brizantão, sendo bastante produtivo e com bom nível de tolerância ao encharcamento do solo. Já o capim-massai (Panicum maximum cv. Massai) é uma cultivar de gramínea que se destaca por sua alta resistência às cigarrinhas-das-pastagens e elevada capacidade de suporte. Consorcia bem com o amendoim forrageiro e com o estilosantes Campo Grande, embora não seja indicado para áreas sujeitas ao alagamento. O capim-piatã (Brachiaria brizantha cv. Piatã), outra cultivar disponível, possui fácil estabelecimento, é adequado para uso em sistemas de integração lavoura-pecuária e produz forragem com bom valor nutritivo, propiciando níveis de produção de carne superiores a 20 arrobas/ha/ano em pastagens bem manejadas e solos férteis. Suas principais limitações são a susceptibilidade à cigarrinha-da-cana (Mahanarva tristis) e o grau de adaptação apenas regular ao encharcamento do solo.

Dois capins propagados exclusivamente por mudas também têm sido muito utilizados para substituir o capim-brizantão. A grama-estrela-roxa (Cynodon nlemfuensis) é um capim com excelente adaptação aos solos sujeitos ao encharcamento do Acre. Destaca-se por seu excelente valor nutritivo e pela boa agressividade, cobertura do solo e persistência, especialmente quando consorciada com o amendoim forrageiro. Já o capim-tangola é um híbrido de Brachiaria arrecta e Brachiaria mutica, adaptado ao encharcamento e alagamento do solo, também com excelente valor nutritivo e boa capacidade de consorciação com leguminosas. Sua principal limitação é a susceptibilidade às cigarrinhas-das-pastagens, razão pela qual deve ser plantado em no máximo 25% da propriedade.

Na pecuária leiteira, as Boas Práticas de Ordenha e o Manejo Sanitário do Rebanho proporcionam aos pequenos produtores de leite melhoria de produção e qualidade final do produto. A utilização do Kit Ordenha da Embrapa Gado de Leite melhora a qualidade higiênica do leite reduzindo a contaminação por bactérias prejudiciais à saúde humana.

A utilização da inseminação artificial como ferramenta de melhoria na qualidade genética do rebanho permite o uso de sêmen de touros de alto padrão genético adaptados às condições climáticas da região.

O cruzamento alternado simples consiste na utilização alternada de touros zebu (gir) e europeu (holandês) mantendo no sistema animais aproximadamente meios-sangues.  Essa tecnologia permite uma boa produção de leite a pasto devido à utilização de animais produtivos e adaptados às condições climáticas adversas da região Norte. Animais meios- sangues zebu/europeu (F1) são considerados os mais indicados para essa situação.

A suplementação com cana mais ureia é indicada para o período de escassez de forragem em rebanhos leiteiros, pois fornece ao animal a combinação ideal entre nitrogênio para formação de proteínas e energia. Essa opção tem-se mostrado bastante eficiente para manter a condição corporal dos animais e uniformizar a produção de leite ao longo do ano.

O pastejo rotacionado, uma das tecnologias mais importantes para exploração racional do pasto, consiste em subdivi-lo em piquetes usados sequencialmente por um ou mais lotes de animais. A utilização da cerca elétrica facilita a aplicação do pastejo rotacionado pelo baixo custo de implantação e agilidade na mudança do uso dos piquetes.

A arborização de pastagem é uma tecnologia que proporciona vários benefícios à produção, como conforto térmico aos animais, enriquecimento do solo, agregação de valor à atividade pela diversificação dos produtos e suplementação alimentar, além de contribuir para adequação ambiental das propriedades.

Essas tecnologias são potencializadas com a implantação do controle zootécnico na propriedade que permite o acompanhamento da evolução do rebanho em termos produtivos, reprodutivos e financeiros.

last modified
06/05/2011 16:40
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