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Ração para peixes e o desafio da fonte protéica (03/03/2012)
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Artigo publicado em 26.02.2004
Autor:Roger Crescêncio, pesquisador da  Embrapa Acre e Luiz Eduardo Avelar Pucci, pesquisador da Universidade Federal do Acre


Tem-se discutido muito sobre o aumento da produção de proteína animal não bovina no Acre. Porém, um fator limitante sempre apontado pelos produtores e técnicos é a ração e o preço que esta alcança no mercado estadual. No Acre, a criação bovina é realizada de modo extensivo, a alimentação é totalmente proveniente do pasto, não sendo dependente de ração. Talvez por esse motivo os números do rebanho bovino sejam tão superiores quando comparados com outras criações. De acordo com fontes do IBGE em 2002 o maior rebanho animal do Estado foi o bovino com 1,8 milhão de cabeças, representando cerca de 50% do total efetivo dos rebanhos. O segundo lugar é da criação de galináceos que representa 27%, e em terceiro lugar vem a criação dos suínos representando 5% da produção. O IBGE não possui até o momento dados da produção de peixes.

A principal diferença entre a criação bovina e as demais é que, aves, suínos e peixes necessitam do fornecimento de alimento em grãos ou em ração balanceada. Talvez essa seja a explicação de por que os números de sua produção são tão inferiores. Sabe-se que o gasto com ração pode representar cerca 70% do custo total de produção de aves, suínos e peixes de uma forma geral. Para aumentar a produção desses animais é necessário oferecer uma ração mais barata. O preço da ração negociada em Rio Branco difere dos grandes centros de produção nacional como Sudeste, Centro-Oeste e Sul principalmente porque esta é fabricada lá e transportada para o Acre acrescendo para o produtor acreano o custo do transporte. A saída mais lógica e geralmente apontada é a implantação de uma fábrica de ração no Estado. Nesse ponto a questão levantada é: que fonte protéica existe no Acre? O que o Acre produz e o que pode ser usado como fonte protéica na fabricação de ração? A exigência protéica na ração para aves e suínos, dependendo da fase de criação, gira em torno de 18%. Já para peixes onívoros como o tambaqui, a tilápia e a matrinxã a exigência sobe para cerca de 30%. Peixes carnívoros como o tucunaré, o pirarucu e o filhote podem exigir até mais de 40% de teor protéico. Sendo assim, a maior dificuldade está em encontrar ingredientes para a ração para peixes, que possam aliar quantidade, qualidade e preço baixo. A fonte protéica mais utilizada em rações animais é o farelo de soja (45% PB) e seria a primeira alternativa para a formulação de uma ração, porém ainda não existem plantações ou moinhos de soja no Acre. A maior produção agrícola estadual é a da Mandioca (363 mil toneladas), que possui baixíssimo teor de proteína (cerca de 2,5%). Em segundo e terceiro lugar estão o milho (51 mil toneladas) e o arroz (32,8 mil toneladas) respectivamente. O farelo de arroz chega a ter 13,8% de proteína bruta (PB) e o milho pode alcançar até 13%. A melhor alternativa para o uso de milho vem ser a sua transformação em farelo de glúten de milho que apresenta alto teor protéico (60% PB). O farelo de glúten é o resultado de moagem e contínuas lavagens para retirada do amido; o que resta é um concentrado protéico. Entretanto, o farelo de glúten possui algumas restrições quanto à quantidade a ser utilizada na formulação de rações para peixes por apresentar deficiência em alguns aminoácidos, e por causar uma coloração amarelada indesejável no filé.

Uma solução é o milho da variedade BR-451, desenvolvido pela Embrapa Milho e Sorgo, que além de possuir em maiores quantidades os aminoácidos que faltam aos milhos comuns é branco e, conseqüentemente, não amarela o filé. Porém, para a produção do farelo de glúten seria necessário a implantação de um fábrica especializada em produtos e subprodutos do milho no Estado. Também existem as fontes de proteína de origem animal proveniente da criação de gado bovino tais como a farinha de carne (45%-60% PB), farinha de carne e osso (37%-50% PB), porém esses produtos possuem restrições de uso, devido à doença da “vaca louca”, sendo atualmente proibida a sua utilização em rações para bovinos pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento – Mapa. A farinha de sangue (70%-80% PB) não possui um bom perfil de aminoácidos, além de possuir baixa digestibilidade, e pode deixar a ração com sabor desagradável. A inclusão da farinha de sangue não deve ultrapassar 10% da ração. Uma ótima alternativa seria a produção local de farinha de peixe (60%-70% PB) e/ou farinha de vísceras de frangos (65% PB). Porém, para essa produção seria necessária a criação de frigoríficos e fábricas nesse sentido. Existe um frigorífico para peixes no município de Senador Guiomar, entretanto não há previsão para o início do funcionamento.

O Peru é um grande produtor de farinha de peixe em termos de qualidade e quantidade e está bem perto do Acre, podendo ser um possível fornecedor desse produto. Quanto ao feijão (26% PB) e a torta da castanha-do-pará (47% PB), subproduto da retirada do óleo da castanha, apesar de serem boas fontes protéicas são voltados, preferencialmente, para a alimentação humana e, por esse motivo, são caros para a alimentação animal. Outro problema que ocorre com a castanha, e com a maioria das frutas e produtos genuinamente amazônicos, é a sazonalidade da produção. A ração tem que ser fornecida aos animais durante todo ano e para isso seus ingredientes devem ser produzidos ao longo do ano sem interrupções. Ainda não possuímos um produto amazônico que seja produzido durante todo o ano em quantidade suficiente para fabricar rações para o Estado inteiro.

Enquanto não houver uma infra-estrutura de produção agrícola e industrial para tornar possível a produção com alguns dos ingredientes acima comentados, uma das saídas seria importar a fonte protéica e adicionar o volumoso produzido no Estado. É importante avaliar se as rações que venham a ser desenvolvidas vão conseguir superar, ou igualar, as importadas em relação a preço e qualidade. Alcançadas essas metas ocorrerá uma alavancagem na pecuária de animais não ruminantes no Acre, gerando crescimento econômico e melhoria da qualidade de vida com uma oferta de carne maior e mais barata para o consumidor acreano.


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