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Tempo de queimada (03/03/2012)
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Artigo publicado em 15.08.2005
Autor:Evandro Orfanó Figueredo,  pesquisador Embrapa Acre


Ano após ano a discussão é retomada. Parece filme seriado que as emissoras de TV insistem em passar para o público repetidas vezes. A questão é a mesma. A queimada é nossa ou de estados vizinhos? A fumaça veio da Bolívia? As explicações mais esdrúxulas aparecem na hora de justificar de onde surgiu o fumaceiro. No fundo todos têm razão. Temos problemas de condições climáticas e geográficas que favorecem o aparecimento repentino de uma grande quantidade de fumaça vinda de outras regiões. Ainda temos práticas não sustentáveis de condução da lavoura e pastagens.

Temos a agricultura de derrubada e queima, responsável pela emissão de uma grande quantidade de fumaça, e outras ações geradoras de impactos de importância secundária para atmosfera. Se existem estas atividades geradoras de impactos, devemos avaliar nossa responsabilidade nesta história toda. É consenso no meio científico e na opinião pública que a principal emissão de carbono para atmosfera provocada pelo homem advém da queima de combustíveis fósseis, principalmente derivados do petróleo. Este carbono fóssil disperso na atmosfera apresenta um ciclo longo, ou seja, uma vez emitido, sua permanência no ambiente é de centenas de anos, acarretando um impacto ambiental intenso e duradouro. Outra importante fonte de poluição são as queimas de florestas, pastagens e restos de culturas (biomassa), as quais emitem grande quantidade de carbono para atmosfera. No caso de florestas, o ciclo leva algumas dezenas de anos, visto que por meio do crescimento da floresta secundária (capoeiras) o carbono emitido pela queimada é novamente imobilizado; com relação às pastagens e culturas anuais, esse processo é bem mais rápido.

Portanto, quanto maior for o ciclo do carbono (de acordo com a fonte poluidora) maior será o impacto ambiental para o planeta. Neste contexto, os danos dos combustíveis fósseis ao ambiente são inúmeras vezes superiores aos provocados pela queima da biomassa.

Contudo, tratando-se da queima de florestas tropicais, vale refletir sobre o tema. Estudos realizados pela Embrapa Acre apontam que nossas florestas apresentam uma quantidade média de carbono de aproximadamente 114 toneladas por hectare. Sendo otimista e considerando que nem tudo será queimado, que 50% desse carbono será aproveitado na forma de toras de madeira para indústria e 30% continuarão no ambiente (sobre o solo), pode-se estimar que um hectare de floresta queimada emita cerca de 23 toneladas de carbono para atmosfera.

Portanto, a queima de florestas representa um forte agente poluidor. Se for considerado o intervalo de tempo de um ano, a queima de um hectare de floresta equivale à existência de 383 veículos de passeio na frota do Estado do Acre, conforme norma de emissão de carbono/km rodado estabelecida pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente – Conama. No caso específico do Acre, se mantidos os mesmos valores de desmatamento do ano de 2004, cerca de 80 mil hectares, teremos o equivalente a uma gigantesca frota de 30 milhões de carros de passeio. Isso é o mesmo que cada residente no Estado possuir mais de 40 carros populares. Portanto, mesmo que o Estado do Acre apresente um dos menores índices de desmatamento da Amazônia, nossa capacidade poluidora é significativa. Assim pode-se considerar que boa parte da fumaça que invade o Estado, ano após ano, tem dono. E somos nós mesmos.


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